Feliz Brasil Novo

11 jan

Que 2019 será um ano melhor é quase unanimidade, mas quão melhor poderá ser este novo ano? Quais as variáveis que irão influenciar este ano que se inicia?

2018 foi definitivamente um ano extremamente desafiador para as gestoras de patrimônio. Aperto monetário nos países desenvolvidos (aumento da taxa de juros, fim da compra de títulos públicos e privados para injetar dinheiro na economia, etc), desvalorização cambial em diversos países emergentes (Brasil, Turquia, Argentina, entre outros), tensões políticas em diversos países (a esquerda vencendo no México, a direita no Brasil, nova composição da Câmara e do Senado Americano), tensões diplomáticas (EUA, Irã, Arábia Saudita, China, Rússia, Venezuela, e por aí vai…), além da crise comercial entre EUA x China que promete muito para 2019. Tudo isto fez com que os fundos multimercados tivessem muita dor de cabeça para entregar resultado em 2018. Mas a partir de 2019, quem for resiliente na sua estratégia poderá alcançar bons resultados.

Um novo ciclo está começando para o Brasil (na verdade já começou em 2017, mas se consolidou em 2018 com a saída da esquerda do poder). Basta analisar o fechamento da bolsa de valores no Brasil, com ganhos de 15% em 2018, contra prejuízos em quase todas as grandes bolsas ao redor do mundo ( EUA caindo mais de 5%, Londres caindo mais de 12%, China caindo cerca de 25%, Alemanha caindo quase 20%). Ou seja, está comprovado que o mundo está de olhos voltados para o país “tupiniquim”. Ceteris Paribus, a bolsa brasileira teria caído mais que a média das bolsas americanas e europeias. Mas por quê? Somos um país emergente, em anos de tensão no mercado mundial como foi 2018, os investidores tendem a tirar dinheiro de países considerados mais arriscados e colocar em segurança nos países desenvolvidos. Mas “acho que o jogo virou, não é mesmo?”. Pelo menos este ano que passou, sim.

Com certeza se em 2018 não tivéssemos todas as tensões citadas no 1º parágrafo, a Bolsa brasileira teria ultrapassado os 100 mil pontos (fechou em 88 mil) e feito muito gestor rir à toa (principalmente os que viraram a chave totalmente após a vitória de Bolsonaro). Mas não foi bem assim, pois as tensões lá fora (EUA, Europa, China) aumentaram no final do ano passado.

 

 

Enfim, vamos então entrar em 2019 de cabeça e tentar avaliar os inúmeros resultados que poderão ser atingidos, dependendo do peso de cada variável na equação: EUA subtraindo China e então dividindo Europa e Brasil e depois multiplicando as reformas estruturais no Brasil somadas então, as tensões dos nossos vizinhos Argentina e Venezuela e por fim, soma- se as brigas dos países produtores de petróleo no Oriente Médio = ????. Ficou confuso? Era pra ficar mesmo! Vou tentar explicar a seguir.

Ou seja, EUA – China / (Europa + Brasil) x Reformas Brasil + Tensões (Arg, Ven) + Tensões (OPEP) = ????.

A única certeza é que teremos volatilidade! E se eu pudesse dar um palpite, essa volatilidade viria a partir de Março. Até lá teremos uns 2 meses de alguma recuperação das bolsas ao redor do mundo e novos recordes aqui no Brasil. E claro, não estou dizendo isso porque consultei a “Mãe Diná” dos investimentos, mas sim porque um estudo desde 1950 mostra que após as eleições legislativas nos EUA, na virada de Novembro para Dezembro, as bolsas tendem a emplacar ganhos por um período curto de tempo (gráfico 1). Aliado a isto, o fato de historicamente os investidores gostarem do legislativo dividido (Câmara com Democratas e Senado com Republicanos) – gráfico 2.

Grafico 1

 

Grafico 2

 

 

 

Estes dados históricos, aliados a forte queda no final do ano das Bolsas ao redor do mundo, somado a expectativa positiva do bom time de ministros montado pelo governo Bolsonaro devem sim resultar num 1º trimestre positivo para a Renda Variável no Brasil.

Agora, a partir de Março, quando teremos mais um capítulo da guerra comercial entre EUA e China e a segunda reunião do ano do Fed (Banco Central Americano) já começamos a ter 2 caminhos diferentes para cada ação desencadeada, o que gera tensão nos mercados financeiros trazendo volatilidade. São elas:

– Novo capítulo guerra comercial EUA x China: caso os 2 líderes das 2 maiores potências comerciais cheguem a um acordo para retirar a sobretaxação aos produtos importados um pelo outro e parar com desvalorização forçada da moeda chinesa para baratear os produtos exportados, além de outros assuntos secundários, o mercado responderá positivamente e poderemos ter novos ganhos para Bolsa aqui no Brasil (dado que nosso país tem a China como o principal destino das nossas exportações).

 

fonte: Google

Caso não tenhamos um acordo e essa guerra se prolongue ao longo do ano, o Brasil poderá sofrer no curto prazo enquanto não houver uma definição.

Se o presidente Chinês for esperto basta apresentar uma proposta que dê uma “sensação” de vitória para Trump. É só isso que ele quer no final das contas.

– a 2ª Reunião do Banco Central Americano: levando em conta que a 1ª será logo ao final deste mês de Janeiro e não trará novidades, penso que a reunião de 20 de Março que vai trazer mais detalhes sobre se teremos realmente mais 2 aumentos na taxa de juros americana ou se o conselho irá decidir por aliviar. Se aliviar, decidindo por apenas mais 1 aumento ao longo do ano ou nenhum por enquanto, o mercado irá responder positivamente a isso, pois um aperto monetário leva a um arrefecimento da economia e esfriar a maior economia do planeta afeta demais os países exportadores (como o Brasil).

Qualquer decisão que deixe a impressão de mais de 2 aumentos no ano para a taxa de juros, trarão queda para os mercados acionários em geral. Além do já explicado arrefecimento da economia, o rendimento do título mais seguro do planeta (tesouro americano) pagando entre 3 e 3,5% ao ano, naturalmente atrai investimentos especulativos, tirando dinheiro dos mercados emergentes.

A nossa próxima variável é a China, gigante asiática que é termômetro para o desempenho da Bolsa aqui no Brasil.

Há muitos anos, a China vem crescendo se endividando demais, e, ninguém sabe ao certo qual o verdadeiro tamanho desta dívida. Acontece que a dívida que produzia crescimento de dois dígitos do PIB agora não produzem mais o mesmo efeito e o governo Chinês tem tentado algumas outras ações no sistema financeiro além de investimento em infraestrutura para tentar retomar ou ao menos superar as sucessivas quedas no crescimento do PIB.

Aliado a este enorme problema criado pelos próprios chineses, Trump resolveu dar uma “mãozinha” para complicar mais ainda a vida dos chineses (como já mencionei no começo). Toda essa confusão no gigante asiático afeta demais a Europa e o Brasil, principais fornecedores de produtos industrializados e de commodities ao país.

Na minha humilde opinião esta será a variável mais perigosa este ano na nossa equação. Os dados da economia de Janeiro já começarão a mostrar qual será o enredo ao longo do ano. Não gosto de ser pessimista e espero estar errado, mas não espero por dados muito surpreendentes vindos do oriente.

fonte: Google

 

 

 

Nossa próxima variável está dentro de casa, as reformas estruturais que fazem parte do plano do novo governo.

A economia brasileira está crescendo há 2 anos. O PIB subiu em 2017, um pouco mais em 2018 e acelerou o ritmo passada a incerteza eleitoral. O país tem tudo para fechar 2019 crescendo 3% ou mais. Isso significa mais emprego, mais renda, mais arrecadação, mais investimentos e mais crescimento, gerando um círculo virtuoso extremamente saudável na economia.

Em economia existe apenas o que a experiência mostra que costuma dar certo e o que certamente dá errado. A boa notícia é que a equipe que assumirá a economia a partir de amanhã está no rumo certo. Tudo indica que o governo seguirá forte na Reforma da Previdência, na redução do tamanho do estado, na abertura da economia, na desestatização, na reforma tributária e no aumento da produtividade do trabalho. Ainda mais após a composição da Câmara e do Senado Federal indicarem que o apoio ao governo Bolsonaro terá sim a maioria qualificada para a aprovação das reformas necessárias.

Esta variável também é uma das mais importantes, pois além de ser a que tem maior chance de ter sucesso, é a que vai tornar o nosso crescimento resiliente e perene no longo prazo e no próximo ciclo econômico que estamos iniciando.

Por fim, com um peso menor na equação mas que também podem ajudar a criar um ambiente favorável ou não, vêm as crises na Argentina e Venezuela, além das rusgas entre os países produtores de petróleo que, caso haja uma diminuição do crescimento global, precisarão ajustar a produção para não termos uma derrocada tão intensa como tivemos do petróleo nos últimos meses de 2018, afetando também a economia global.

Posso resumir tudo o que disse até aqui em uma única frase: “Se eu pudesse escolher 1 dos 193 países do planeta para investir em 2019, com toda certeza seria o Brasil.”

Vamos seguir de olho em todas as variáveis da equação criada aqui para avaliarmos o peso dos investimentos que faremos ao longo do ano!

Um ótimo 2019 para todos!!

Forte Abraço,

Igor Cruvinel

Diretor Concierge de Investimentos na Doc Concierge

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